27 de junho de 2013

Sopro

O amor é capaz de fazer milagres
sem dúvida, penso assim,
alivia a dor e suaviza mágoas,
aliás tenho a certeza
que se o amor não existisse
tornava-se insuportável
o correr da vida.

A fé que me abraça
e toca na alma
é um sopro de vida.
Este sonho acordado
é a única realidade.
Por isso não procuro,
deixo-me adormecer
assim abraçado
aos sonhos.
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Vento

12 de junho de 2013

A leveza das horas


Debaixo das árvores após o trabalho
ansioso por entrar no carro e voar para casa
olhei para o céu rodeado de nuvens.
O meu olhar perdeu-se por instantes
no azul límpido vindo do espaço vazio 
entretanto aberto entre as nuvens.

Foi estranho…  
Senti-me hipnotizado,
atraído para uma subida a pique
atravessar aquela densidade das nuvens mas,
ao mesmo tempo,
também senti a leveza das horas,
senti-me leve e a pairar sobre as nuvens!

Consegue-se perceber isso?
Quando acordei daquele instante 
e aterrei na realidade,  
consciente que por um momento
senti-me ligeiramente perdido.
Saí dali sem saber a direção certa. 
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Vento

4 de junho de 2013

Momento


Num momento rodeado por um pensamento insano,
das frases proferidas com frieza
sem respeito por quem ama,
são facilmente esquecidos os atos
e o sofrimento atroz
da presença nos momentos de outrora…
De indispensável passa-se a ser dispensável,
dependendo do momento.

Nunca foi tão fácil desistir,
Nunca foi tão fácil partir,
sem pensar nas consequências
para o lado mais fraco.

Suportar tornou-se uma forma de sobreviver,
até que um dia a partida para outro lugar
que antes parecia impossível
se torna inevitável…

Na realidade…
Fica-se a um pequeno passo.
Basta um pequeno gesto
e o destino pode ser alterado.
Para quem fica
a vida continuará o seu rumo
Mas... eu…
Finalmente serei livre.
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Vento

24 de maio de 2013

Alteridade

Há um exercício que de há muito acompanha a minha vida interior
Não sei precisar a causa de se ter entranhado em mim.
Sei que me está tão colado à pele que já nada consigo analisar
sem o usar como uma espécie de contraprova.
Passo a explicar.
Por maior que seja a sua capacidade visual,
não há ninguém neste mundo,
mas mesmo rigorosamente ninguém,
que seja capaz de ver de uma só vez um objeto inteiro,
qualquer que seja o seu tamanho.

Por outras palavras, somos sempre incapazes
de percecionar um dos lados da tridimensionalidade de qualquer coisa,
por mais ínfima que seja.
Ora, se não conseguimos divisar em toda a sua extensão o fio
a agulha ou o dedal, como poderemos supor entender
a mente de um alfaiate?
O povo tem uma expressão que retrata o que estou a dizer:
“Por os sapatos do outro”
Gosto mais de pensar que é ver e sentir com os olhos e o coração de outrem.
Chama-se a isto alteridade.
E assim, porque compreendemos melhor o outro,
respeitamo-lo mais.
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Vento

15 de maio de 2013

Sombras inquietantes

Miro-a e remiro-a,
vejo nela,
na imagem,
poema que se escreve a luz e sombra.

Vejo nela,
na imagem,
sentimentos congelados a arderem em traços invisíveis
e ele, quase só…
Com o olhar afundado no horizonte,
a perder-se…

Ocorrem ideias subtis,
a melhor forma de resolver os problemas da vida
sobretudo em termos práticos e inesperados.
Sublime espírito da totalidade
a perseguir
sem descanso
o fundamento e o sentido.
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Vento